O que são preprints?


Físicos fazem. Cientistas da computação. Matemáticos, e até mesmo, economistas. Chegou a vez dos biólogos de divulgarem seus resultados online antes da revisão por pares.


Preprint é uma versão de um artigo científico que precede a revisão por pares e a publicação formal. 

Publicar um artigo é algo demorado. Experimentos que foram iniciados hoje podem só ser publicados em revistas científicas daqui 5 anos. Preprints surgem da necessidade de contornar essa demora, que é uma consequência do rigoroso sistema de revisão por pares. Uma pesquisa feita pela Nature mostra que a maioria dos cientistas já levou até 2 anos para publicar um artigo após submetê-lo em uma revista. Essa demora afeta a disseminação da informação. Pode também prejudicar a carreira de cientistas, já que estes só recebem reconhecimento após suas pesquisas serem publicadas.

Publicação preprints vs revisão por pares. Modificado de Science.


As vantagens de um sistema de preprints para a área biomédica são evidentes. Em primeiro lugar, a informação é disseminada mais rapidamente para a comunidade científica. Outra vantagem é que o conteúdo é disponível gratuitamente. Por fim, também há vantagens para os pesquisadores que estão disponibilizando o conteúdo. Eles recebem o feedback de seus pares antes de tentarem submeter o trabalho em uma revista.

A maior plataforma de preprint na área biomédica atualmente é a BioRxiv, mantida pela instituição americana Cold Spring Harbor Laboratory. O serviço está sendo bem aceito internacionalmente. Ao menos, três laureados do Nobel já publicaram na plataforma. Além disso, o recente trabalho brasileiro sobre a Zika saiu na PeerJ (outra plataforma de preprint na área biomédica), antes de ser publicado na Science.

Como o sistema é novo, alguns pontos são apontados como problemas em potencial. Um deles é o fato de que a informação disponível lá ainda não foi revisada por outros especialistas, podendo conter conclusões que não são suportadas pelos resultados. Outra questão é que agora o cientista terá de procurar a informação nas diferentes plataformas de preprint se quiser manter-se atualizado (Essa questão foi recentemente resolvida, com o surgimento do PrePubmed). Por fim, para pesquisadores brasileiros, ainda não está claro como poderemos incluir preprints na plataforma Lattes, e nem quais serão as políticas da agência de fomento quanto o assunto.

Assim como no campo da Física, preprints acelerarão o progresso da ciência e a disseminação da informação. Porém, muitas questões ainda estão em aberto e precisam ser resolvidas: Quais revistas aceitarão trabalhos que já foram publicados como preprints? E, se um grupo publica um preprint e outro, logo em seguida, publica em uma revista, quem tem o direito sobre a descoberta?


Leia mais:
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Discussão sobre preprints na revista Nature
Discussão sobre preprints na revista Science

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