Quem vai vencer o prêmio Nobel de Medicina esse ano?

Nenhum brasileiro até hoje foi laureado nas diferentes categorias do prêmio Nobel (a não ser que consideremos Peter Medawar, vencedor do Nobel de Fisiologia de 1960, que nasceu em Petrópolis, mas viveu no país apenas até os 13 anos de idade).

Na semana do dia 03 de outubro será divulgado em Estocolmo, Suécia, os vencedores do prêmio Nobel de 2016. Arriscamos em dar um palpite de quem irá vencer esse ano. Infelizmente, não deve ser dessa vez que o Brasil vai vencer a disputa.

Indo ao ponto, nossa aposta para os vencedores do prêmio Nobel de Fisiologia em 2016 é:

Emmanuelle Charpentier (França), Feng Zhang (China) e Jennifer A. Doudna (Estados Unidos) pelo desenvolvimento da técnica CRISPR-Cas9 como forma de edição de genomas.






Sim, certamente, você já ouviu falar de CRISPR. Senão, você ainda escutará bastante. A técnica inovadora CRISPR-Cas9 permite a edição genômica de diferentes animais, incluindo humanos. Ela foi inspirada no sistema imunológico primitivo de bactérias estreptococos que o usam para se defender de infecções virais. Essas bactérias expressam um conjunto de enzimas chamadas Cas, que conseguem clivar certas sequências de DNA, eliminando assim, vírus invasores. Essa maquinaria foi adaptada por esses três pesquisadores para que pudessem clivar sequências de interesses em outros organismos, funcionando até mesmo em células humanas.


As aplicações da técnica vão desde, no futuro, curar algumas doenças pela terapia gênica, até permitir que pesquisadores possam estudar a função de diferentes genes em organismos, modificando-os da forma como melhor desejarem.

Um dos projetos em andamento mais ambiciosos inspirado pela técnica é o de modificar o genoma de porcos para permitir transplante de órgãos para humanos. A idéia inusitada é do professor George Church (Harvard). Se tentássemos hoje transplantar um órgão de um porco em humanos, muito provavelmente este seria rejeitado por nosso sistema imune. Entretanto, se alguns dos genes do porco forem modificados a expectativa é de que nosso sistema imune não reconheceria o órgão como de outra espécie - permitindo assim, o transplante. Outro projeto, do mesmo grupo, pretende modificar o genoma de um elefante para torná-lo parecido com a espécie extinta, mamute.

Nesse meio tempo, uma disputa muito maior teve início. Quem terá os direitos de patente sobre o uso de CRISPR-Cas9? De um lado está a dupla Emmanuelle (Max Planck) e Jennifer Doudna (Universidade de Berkeley) que foram as primeiras a propor a técnica, em 2012. Do outro lado, está o chinês Feng Zhang (Instituto Broad/MIT) que pede a prioridade por ter conseguido um feito extraordinário - ser o primeiro a usar a técnica para edição do genoma em células humanas.

Certamente, a disputa jurídica ainda vai dar pano pra manga, por bastante tempo. Porém, para o reconhecimento do prêmio Nobel, isso não importa. Todos os três cientistas deram importantes contribuições para uma das maiores invenções dessa década e são grandes favoritos para serem laureados daqui duas semanas.


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